Tecnologia, carne e IA: o que empresas de Brasil e Coreia do Sul negociaram em reunião fechada

  • 30/07/2026
(Foto: Reprodução)
Presidente da Coreia do Sul encerra agenda no Brasil Mais do que uma cerimônia de assinatura de acordos, o Brazil-Korea Business Roundtable foi estruturado como uma grande mesa de negociação entre os principais líderes empresariais dos dois países. O g1 acompanhou as discussões com exclusividade. Mediados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, cerca de 30 executivos brasileiros e sul-coreanos se revezaram em três painéis temáticos — manufatura e infraestrutura, indústrias avançadas e bens de consumo e distribuição — para apresentar diretamente aos chefes de Estado os principais gargalos, oportunidades de investimento e propostas de cooperação bilateral. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ao fim das apresentações, parte das discussões foi formalizada por meio da assinatura de memorandos de entendimento entre empresas e instituições dos dois países. A divisão dos debates refletiu as prioridades da agenda econômica entre Brasil e Coreia do Sul. No primeiro bloco, executivos de empresas como Hyundai, Posco, LG Electronics, Hanwha Ocean, Vale, Suzano, Braskem, Inpasa, Tupy e HD Hyundai Construction Equipment discutiram projetos ligados à indústria, infraestrutura e transição energética. vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin discursa durante uma mesa-redonda empresarial com líderes empresariais sul-coreanos e brasileiros em um hotel de São Paulo, em 28 de julho de 2026 Divulgação Em seguida, representantes de Samsung Electronics, Embraer, Eurofarma, WEG, Stefanini, SK Biopharmaceuticals, NAVER, Korean Air e Korea Aerospace Industries concentraram as discussões em inteligência artificial, semicondutores, saúde, inovação e setor aeroespacial. O último painel reuniu executivos de JBS, Minerva Foods, Ambev, Amorepacific, APR, Silicon2 e Korea Importers Association (KOIMA), com foco em alimentos, bebidas, cosméticos e distribuição. A escolha desses setores chamou atenção por coincidir com áreas consideradas estratégicas pelo governo brasileiro no momento em que o país busca diversificar seus mercados externos após o aumento das tarifas impostas pelos EUA. Proteínas animais e bebidas — dois dos segmentos preservados das novas tarifas americanas — estiveram entre os temas mais debatidos pelos executivos, que defenderam ampliar a presença brasileira na Coreia do Sul e acelerar acordos comerciais e sanitários. Os EUA sequer foram citados durante os debates, embora Brasil e Coreia estejam sendo alvo de tarifas americanas. Após o encerramento do evento, durante entrevistas, Alckmin reiterou que Trump "não esteve na pauta". Acordos anunciados ao final da mesa-redonda: ApexBrasil × KOTRA: aprofundamento da cooperação comercial e de investimentos. Embrapii × KIAT e Finep × KIAT: pesquisa, inovação, inteligência artificial e descarbonização. Eurofarma × SK Biopharmaceuticals: parceria em neurociências, IA e terapias para epilepsia. JBS × Highland Foods: expansão da presença da JBS na Coreia e em outros mercados estratégicos. Embraer × Korea Aerospace Industries (KAI): cooperação para futuras parcerias no setor aeroespacial. Minerva quer substituir EUA e Austrália No painel de bens de consumo, o CEO da Minerva Foods, Fernando Queiroz, afirmou que a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina brasileira representa uma oportunidade para os dois países. Segundo ele, a Coreia importa mais de 60% dos alimentos que consome e depende principalmente de Estados Unidos e Austrália para abastecer seu mercado. Já o rebanho brasileiro "soma mais de duas vezes a soma da Austrália e da Índia", disse. "Nós podemos dar à Coreia segurança alimentar, controle da inflação — especialmente para as classes menos privilegiadas —, constância e diminuir a dependência de um mercado que não é promissor", afirmou. O CEO afirmou que a mesa representou uma oportunidade para acelerar o acordo sanitário e viabilizar o fornecimento de carne bovina brasileira ao mercado sul-coreano. A avaliação foi reforçada pelo presidente do conselho de administração da JBS, Jerry O’Callaghan, que destacou que a companhia já possui estrutura logística consolidada para atender ao mercado asiático e que a parceria pode ir além das proteínas animais. Segundo ele, a empresa também produz biodiesel, colágeno utilizado pela indústria de cosméticos e ingredientes de alto teor proteico para alimentação humana. "Já conhecemos bem o mercado, conhecemos a logística [...] atendemos subprodutos da nossa produção, como biocombustíveis — particularmente o biodiesel —, sebo bovino e colágeno, que serve como matéria-prima para os colegas aqui do setor de beleza", disse. O’Callaghan acrescentou que o sorgo para consumo humano, com alto teor de proteína, "está bastante demandado pelos produtores". As discussões sobre proteínas dialogaram diretamente com um dos memorandos assinados ao fim do encontro: a parceria estratégica entre a JBS e a sul-coreana Highland Foods para ampliar a cooperação comercial de longo prazo, expandir oportunidades de mercado e aumentar a presença dos produtos da companhia brasileira na Coreia e em outros mercados estratégicos. Presidente do conselho de administração da JBS, Jerry O’Callaghan, (à direita), apertando a mão da fundadora e CEO da Highland Foods, Young Mi Youn (à esquerda) Isabela Ortiz/g1 Ambev pede previsibilidade e segurança jurídica Na mesma mesa, a vice-presidente da Ambev, Carla Crippa, afirmou que Brasil e Coreia já compartilham uma integração empresarial relevante, lembrando que a cervejaria brasileira faz parte do mesmo grupo controlador da sul-coreana OB. Segundo ela, cadeias produtivas complexas, como a de bebidas, dependem de um ambiente regulatório estável para sustentar investimentos de longo prazo. "Para manter os investimentos de longo prazo, precisamos cada vez mais de previsibilidade e segurança jurídica nos nossos países", afirmou. Já no painel de indústrias avançadas, a aproximação entre empresas de tecnologia e saúde também resultou em acordos concretos. A Eurofarma e a SK Biopharmaceuticals firmaram um memorando para ampliar a colaboração em neurociências na América Latina, incluindo terapias para epilepsia, expansão do uso do medicamento cenobamato e aplicação de inteligência artificial em saúde. Embraer e Korea Aerospace Industries (KAI), por sua vez, assinaram um acordo para identificar novas oportunidades de cooperação no setor aeroespacial. Durante o evento, Alckmin lembrou que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro KC-390, da Embraer, e mencionou o lançamento de um foguete sul-coreano previsto para setembro, a partir do Centro Espacial de Alcântara. Marco Billi, CEO Internacional da Eurofarma (à direita), assina acordo com Donghoon Lee, CEO da SK Biopharmaceuticals Co. (à esquerda) Isabela Ortiz/g1

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/30/tecnologia-carne-e-ia-o-que-empresas-de-brasil-e-coreia-do-sul-negociaram-em-reuniao-fechada.ghtml


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