Tarifaço de Trump: indústria diz que novas taxas ampliam as dificuldades já enfrentadas por exportadores
16/07/2026
(Foto: Reprodução) Entidades do setor industrial demonstram preocupação com novo tarifaço
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reagiu nesta quinta-feira (16) ao anúncio da nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos e afirmou que a medida amplia as dificuldades já enfrentadas pelas empresas exportadoras.
Em nota, a entidade avaliou que a sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as vendas brasileiras aos Estados Unidos e aumenta a insegurança para companhias dos dois países.
Segundo a CNI, os efeitos das tarifas adotadas pelos Estados Unidos desde 2025 já são percebidos no comércio bilateral.
De acordo com a entidade, as exportações brasileiras para o mercado americano recuaram 13% no período, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. A queda foi puxada principalmente pela redução das vendas de bens industriais, incluindo produtos siderúrgicos, derivados de petróleo e pasta química de madeira.
Donald Trump fala com a imprensa a bordo do Air Force One em 8 de julho de 2026.
REUTERS/Jonathan Ernst
"Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A confederação informou ainda que 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Entre os principais estados exportadores, Minas Gerais (-18,9%), Espírito Santo (-19,2%), Rio Grande do Sul (-22,6%), Santa Catarina (-32,9%) e Paraná (-32,9%) apresentaram retrações significativas, segundo os dados da entidade.
Apesar da redução das vendas, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período.
Veja os detalhes do tarifaço na reportagem abaixo.
Fiesp critica o governo brasileiro
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a condução do governo brasileiro nas negociações com os EUA após o anúncio de uma nova sobretaxa sobre produtos do Brasil. Em nota, a entidade afirmou que a medida representa um duro golpe para a competitividade da indústria nacional e avaliou que a retaliação comercial poderia ter sido evitada.
Segundo a Fiesp, a decisão dos Estados Unidos é especialmente prejudicial por atingir exclusivamente o Brasil, colocando os exportadores nacionais em desvantagem diante de concorrentes internacionais.
A entidade também atribuiu parte do deterioramento do cenário comercial a uma condução que classificou como marcada por "ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas e desalinhamento político com Washington".
Para a federação, o episódio enfraqueceu uma relação bilateral construída ao longo de mais de dois séculos entre os dois países. A entidade defendeu que uma abordagem mais técnica e pragmática poderia ter evitado o agravamento das tensões comerciais.
"O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo 'pedágio' imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios", afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
A federação informou ainda que continuará atuando junto a parceiros nos Estados Unidos para buscar a reversão ou a mitigação das tarifas, com a ampliação da lista de produtos isentos. (Leia a nota na íntegra abaixo)
FIEMG vê risco de perda de competitividade
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também manifestou preocupação com a decisão americana. Em nota, a entidade avaliou que a tarifa adicional de 25% amplia os custos de acesso ao mercado dos Estados Unidos e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros.
Segundo a FIEMG, o impacto efetivo dependerá da lista de produtos atingidos, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido a concorrentes de outros países. A federação alertou ainda para possíveis efeitos como substituição de fornecedores brasileiros, redução de margens de lucro e renegociação de contratos comerciais.
"A tarifa de 25% altera de forma expressiva as condições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. Será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento, reduzindo as incertezas para as empresas exportadoras", afirmou Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG.
A entidade defendeu o reforço das negociações entre Brasil e Estados Unidos e pediu regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e para a implementação das novas tarifas, de forma a evitar uma perda prolongada de competitividade da indústria nacional. (Leia a nota na íntegra abaixo)
Amcham diz que tarifa é "muito negativa" e pede retomada do diálogo
Em nota, a Amcham Brasil classificou como "muito negativo" o resultado da investigação que culminou na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros.
Segundo a entidade, a medida coloca o Brasil "entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano" e deve atingir mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio.
A entidade também afirmou que as sobretaxas tendem a aumentar custos para empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade da indústria dos EUA que utiliza insumos brasileiros e aprofundar a queda do comércio bilateral.
"Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla", afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
"Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%."
A Amcham também considerou positiva a exclusão de uma lista de produtos das novas tarifas, por reduzir parte dos impactos da medida, mas defendeu a criação de um mecanismo que permita avaliar novas isenções para itens cujas sobretaxas possam gerar efeitos econômicos desproporcionais ou não contribuam para solucionar as preocupações comerciais apontadas pelos Estados Unidos.
ABIMAQ diz que tarifa pode "comprometer investimentos"
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmou que vê com preocupação a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Para a entidade, a medida "aumenta a incerteza" nas relações comerciais entre os dois países e pode "elevar custos, reduzir a competitividade das empresas e afetar investimentos".
Segundo a Abimaq, os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. Em 2025, o setor vendeu cerca de US$ 3,2 bilhões ao mercado americano, enquanto o Brasil importou US$ 4,8 bilhões em máquinas e equipamentos dos Estados Unidos, em uma relação marcada pela "elevada complementaridade industrial" e pela "forte interdependência produtiva" entre os dois países.
A associação destaca que parte importante desse comércio ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico, com fábricas e operações nos dois países. Por isso, afirma que a tarifa pode "aumentar custos, reduzir a competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas", gerando impactos tanto para empresas brasileiras quanto americanas.
A Abimaq concluiu seu posicionamento afirmando que divergências comerciais devem ser resolvidas "por meio do diálogo institucional e da negociação bilateral" e que "medidas unilaterais de natureza tarifária tendem a elevar a insegurança jurídica, aumentar custos para empresas e consumidores e enfraquecer cadeias globais de valor". A entidade informou que continuará acompanhando a implementação da tarifa e atuando para ampliar as exceções para o setor de máquinas e equipamentos.
Entidade do agro também condena tarifas mas comemora lista de exclusões
Em vídeo enviado a imprensa na noite desta quinta-feira (16), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestou “preocupação” com a decisão. Segundo a entidade, apesar da retirada de diversos itens da lista após articulação técnica em Washington, produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar continuam sujeitos à sobretaxa.
A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que os produtos atingidos pela medida representaram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações para o mercado norte-americano em 2025. “Em 2025, esses produtos [tarifados] representaram cerca de US$ 4,6 bilhões em vendas para o mercado norte-americano”, disse.
A entidade destacou, porém, que a atuação junto ao governo dos Estados Unidos conseguiu ampliar a lista de exceções. Com a inclusão de 2.126 linhas tarifárias, itens como pescados, mel e café solúvel ficaram fora da sobretaxa, preservando 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos americanos.
Segundo Mori, a exclusão de parte dos produtos ocorreu também pela dependência da indústria norte-americana de determinados insumos brasileiros. “Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro”, afirmou.
"A CNA defendeu o agro brasileiro e demonstrou, com dados e evidências, que a competitividade do setor não decorre de práticas desleais de comércio, mas sim de ganhos de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas”, declarou Mori.
A entidade informou que seguirá acompanhando os efeitos da medida e apoiando os setores afetados pela tarifação, em busca de negociações para preservar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Leias as notas na íntegra:
Fiesp
"A Fiesp lamenta, com profunda preocupação, a aplicação de uma nova sobretaxa às exportações de produtos brasileiros ao mercado norte-americano. A decisão é especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais
Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral.
A retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática, como buscou a Fiesp durante as audiências públicas nos EUA e outras oportunidades no último ano.
“O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios”, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
A Fiesp reafirma seu compromisso com a diplomacia empresarial e seguirá trabalhando de forma construtiva junto a parceiros nos EUA para que as tarifas sejam revertidas ou parcialmente mitigadas na ampliação da lista de isenções."
FIEMG
"FIEMG critica tarifa de 25% dos EUA e alerta para perda de competitividade da indústria brasileira
Medida amplia custos de acesso ao mercado norte-americano e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avalia com grande preocupação a decisão do governo dos Estados Unidos, anunciada nesta quarta-feira (15), de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A medida cria uma diferença relevante em relação a fornecedores de outros países que disputam os mesmos compradores. O impacto efetivo dependerá dos produtos alcançados, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido aos concorrentes internacionais.
Entre as possíveis consequências estão a substituição de fornecedores brasileiros, a pressão pela redução de preços e margens e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais.
“A tarifa de 25% altera de forma expressiva as condições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. Será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento, reduzindo as incertezas para as empresas exportadoras”, afirma Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG.
A FIEMG reforça a necessidade de intensificar as negociações entre Brasil e Estados Unidos e garantir regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e implementação da medida, evitando uma perda prolongada de competitividade para a indústria brasileira."
Amcham
A decisão do governo dos Estados Unidos, divulgada em 15 de julho, de aplicar sobretaxas de 25% sobre cerca de 3.000 produtos que o Brasil exporta, como conclusão da investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais do Brasil, consiste em um resultado muito negativo para a relação bilateral.
A medida, que entra em vigor a partir de 22 de julho, coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano, afetando duramente mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil — de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 — e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos norte-americanos.
Ademais de prejudicar exportadores e produtores brasileiros, a aplicação de sobretaxas tende a elevar custos para as empresas e consumidores dos Estados Unidos, reduzir a competitividade de suas indústrias que utilizam insumos brasileiros, bem como ampliar a sua dependência de fornecedores asiáticos, com potencial para agravar o déficit comercial norte-americano com países daquela região. Além disso, ela limita as oportunidades de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual.
O aumento das tarifas também tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, que já registra queda de 13% no ano e levou a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor patamar histórico. Também poderá afetar negativamente os investimentos bilaterais, que mantêm estreita relação com o dinamismo das trocas entre os dois países.
“Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
A Amcham Brasil considera positiva a definição de uma lista expressiva de produtos excluídos das sobretaxas, o que contribui para mitigar parte dos seus impactos. Ao mesmo tempo, solicita a criação de um mecanismo para avaliar novas exclusões para produtos cujas sobretaxas possam gerar impactos econômicos desproporcionais para empresas e consumidores ou que não contribuam de forma efetiva para resolver as preocupações comerciais apontadas pelos Estados Unidos.
A Amcham Brasil seguirá atuando para aproximar os setores público e privado dos dois países e apoiar oportunidades de crescimento, investimentos e geração de empregos em ambas as economias.
ABIMAQ
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) manifesta profunda preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifa adicional de 25% sobre as importações de produtos brasileiros, no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 do Trade Act de 1974. A medida, anunciada pelo USTR, decorre da conclusão de que determinadas políticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal configurariam práticas consideradas "injustas" ou "discriminatórias" sob a ótica norte-americana. A tarifa entrará em vigor em 22 de julho de 2026, alcançando, como regra geral, as importações provenientes do Brasil, com exceção de produtos expressamente excluídos pelo governo norte-americano.
Embora o ato final tenha preservado diversas exceções relevantes, inclusive para produtos sujeitos às medidas da Seção 232 e para determinados bens considerados estratégicos para a economia norte-americana, a ABIMAQ avalia que a decisão representa um fator adicional de incerteza para o comércio bilateral e para as empresas inseridas nas cadeias produtivas entre Brasil e Estados Unidos. Entre os produtos excluídos das novas tarifas encontram-se, por exemplo, artigos já submetidos à Seção 232, aeronaves civis e suas partes, produtos farmacêuticos, determinados produtos de madeira, veículos, semicondutores e outros insumos considerados essenciais pelo próprio governo dos Estados Unidos.
Para o setor de máquinas e equipamentos, os Estados Unidos representam o principal mercado de exportação. Trata-se de uma relação comercial caracterizada por elevada complementaridade industrial e pela intensa integração das cadeias produtivas, nas quais circulam máquinas, componentes, partes e bens intermediários utilizados pela própria indústria norte-americana. Em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para os Estados Unidos alcançaram aproximadamente US$ 3,2 bilhões, enquanto as exportações norte-americanas para o Brasil totalizaram cerca de US$ 4,8 bilhões, evidenciando uma relação de benefícios mútuos e forte interdependência produtiva.
A ABIMAQ ressalta que parcela significativa desse comércio ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico (intercompany), refletindo investimentos produtivos realizados por empresas norte-americanas no Brasil e por empresas brasileiras nos Estados Unidos. Nesse contexto, a elevação de tarifas tende a aumentar custos, reduzir competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas instaladas nos dois países, produzindo efeitos que vão além da relação comercial bilateral.
A entidade também observa que, durante a consulta pública conduzida pelo USTR, diversos representantes da indústria norte-americana defenderam a exclusão de máquinas, equipamentos e outros bens industriais da medida, argumentando que esses produtos são essenciais para a competitividade da manufatura dos Estados Unidos, possuem limitada disponibilidade de fornecimento alternativo e que sua tributação produziria impactos negativos sobre investimentos, custos de produção e geração de empregos naquele país. O próprio relatório final reconhece que diversas exclusões foram concedidas justamente para evitar desorganização das cadeias produtivas e impactos econômicos mais amplos.
A ABIMAQ entende que divergências comerciais devem ser tratadas prioritariamente por meio do diálogo institucional e da negociação bilateral. Medidas unilaterais de natureza tarifária tendem a elevar a insegurança jurídica, aumentar custos para empresas e consumidores e enfraquecer cadeias globais de valor que vêm sendo construídas ao longo de décadas.
A Associação continuará acompanhando atentamente a implementação da medida, em especial a regulamentação operacional pelas autoridades aduaneiras norte-americanas e a definição do tratamento aplicável aos diferentes produtos do setor. Paralelamente, permanecerá atuando junto às autoridades brasileiras e aos interlocutores norte-americanos na defesa da ampliação das exclusões aplicáveis ao setor de máquinas e equipamentos e da construção de uma solução negociada que preserve a competitividade da indústria e o fortalecimento da relação econômica entre Brasil e Estados Unidos.