Preço da terra no Brasil varia de R$ 1 mil a R$ 2 milhões por hectare; entenda o que influencia
06/03/2026
(Foto: Reprodução) Lavoura de café a pleno sol em Divinolândia (SP)
Stephanie Rodrigues/g1
O Brasil tem produção agrícola em todo o seu território. Mas quanto custa comprar um pedaço de terra?
Isso depende de muitos fatores, por exemplo, se a terra é produtiva ou está localizada em um lugar fácil de escoar para vendas, segundo o Atlas do Mercado de Terras, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
O levantamento foi divulgado em dezembro de 2025, a partir de dados do mesmo mês em 2024.
Por exemplo, a região de Mogiana (SP), o valor por hectare não agrícola é de R$ 2.433.233,91. Já o valor da terra para agricultura é de R$ 80.911,18. A área é polo de produção de café e cana-de-açúcar e também tem potencial para turismo rural.
Por outro lado, no Oeste Amazonense, é possível encontrar a média de R$ 1.525,62 por hectare. O baixo preço é causado por uma combinação de isolamento geográfico com restrições ambientais mais rígidas.
Já o preço médio é de R$ 22.951,94 por hectare. Para fazer este cálculo, o Incra usa um método para eliminar os preços muito altos ou muito baixos (como Mogiana e o Oeste Amazonense), considerados atípicos. Evitando, assim, uma média destorcida da realidade da maior parte do país.
🔍Um hectare equivale a 10 mil metros quadrados, similar a um campo de futebol pelas regras da FIFA, em que a medida varia de 7 mil a 8 mil metros quadrados.
A média nacional subiu 28% na comparação entre dezembro de 2024 e dezembro de 2022.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Confire os maiores e menores preços da terra no Brasil
Arte / g1
Onde estão os extremos?
A pesquisa mostra que os preços variam muito dependendo da localização.
💵Maiores preços
A região Sul lidera o ranking nacional, seguida pelo Sudeste. Em estados como Santa Catarina, o hectare pode ultrapassar os R$ 100 mil em áreas de alta produtividade. Caso de Xanxerê, onde o preço médio é de R$ 173.298,67, devido o potencial para pecuária e plantio de grãos.
Além das áreas de produção, o relatório considera terras de uso "não agrícola", voltadas para lazer ou expansão urbana, por exemplo.
O documento destaca que nessas áreas ocorre uma "sobreposição com o mercado imobiliário". Isso significa que o valor deixa de depender apenas da fertilidade e passa a considerar o potencial para loteamentos ou instalação de indústrias.
A proximidade com um maior mercado consumidor e a excelente logística rodoviária garantem que qualquer área disponível tenha um grande valor de mercado.
Além de Mogiana, a Região Metropolitana do Maranhão também tem altos preços, sendo uma exceção do Nordeste, com a média de R$ 299.279,01 por hectare.
O preço é puxado pela localização estratégica, pela proximidade com portos exportadores e armazéns, por ter solos com alta fertilidade e por fazer parte do Matopiba, grande área produtora, composta também por Tocantins, Piauí e Bahia.
Quando a área é destinada a uso não agrícola, o preço pode chegar a R$ 405.641,35 por hectare.
💵Menores preços
O Nordeste possui os menores valores médios, seguido pela região Norte. No interior do Amazonas e em partes do Piauí, é possível encontrar hectares abaixo de R$ 2 mil.
É o caso do Oeste Amazonense. Os principais motivos apontados pelo relatório do Incra para este preço são:
💰Logística limitada: a região depende de transporte por rios ou aviões. A falta de rodovias encarece o escoamento e reduz a competitividade.
💰Áreas protegidas: grande parte do território é formada por Unidades de Conservação e Terras Indígenas. As restrições legais limitam a expansão agrícola e reduzem o interesse de investidores.
💰 Falta de compradores: o uso restrito da terra e a dificuldade de escoamento reduzem o número de negócios. Com menos compradores, os preços permanecem baixos.
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O que faz o preço subir ou descer?
O valor da terra não depende apenas do tamanho da área. Também são considerados fatores como:
💰economia, como as expectativas de ganho com a revenda da propriedade e o lucro da produção na comparação com os custos de manutenção e taxas de juros;
💰produtividade, considerando a fertilidade do solo, a topografia (se é plano ou montanhas) e a disponibilidade de água na região. Por exemplo, as terras voltadas para a pecuária foram as que registraram a maior alta de preços no país, com valorização de 31,24%, na comparação entre 2024 e 2022. No mesmo período, as áreas só de plantio subiram 12%;
💰logística, como a proximidade de capitais, rodovias, ferrovias, portos e cadeias de agroindústrias, por exemplo, laticínios e cooperativas;
💰situação legal, caso de áreas com restrições ambientais, também são analisadas as condições na unidade de conservação e se há conflitos agrários por terra.
Como foi o ano de 2025 e como fica 2026?
O relatório não define um preço exato para 2025 e 2026, mas indica tendências.
A expectativa é de valorização em polos agrícolas consolidados, como Mato Grosso e o Matopiba.
O avanço da infraestrutura, como a Ferrovia Norte-Sul, e a entrada de novos investidores devem manter o mercado aquecido.
Já em áreas de preservação ambiental ou com conflitos fundiários, a tendência é de preços menores e baixa demanda.
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