Guerra no Irã derruba em mais de 30% exportações brasileiras ao Golfo Pérsico

  • 23/04/2026
(Foto: Reprodução)
Veja os vídeos que estão em alta no g1 As exportações brasileiras para países do Golfo Pérsico caíram em março, em meio aos efeitos da guerra no Irã e às dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados na plataforma ComexStat, mostram que as vendas brasileiras para a região somaram US$ 537,1 milhões no mês. O valor representa uma queda de 31,47% em relação a março do ano passado. 🌊 O Golfo Pérsico reúne mercados importantes para o Brasil, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Omã e Bahrein. A maior parte do comércio com esses países é formada por produtos do agronegócio, que representam cerca de 75% das exportações brasileiras para a região. Isso porque a interrupção parcial do transporte marítimo afetou principalmente alimentos que dependem de embarques regulares em grande escala. O milho praticamente deixou de ser enviado no mês, enquanto as exportações de açúcar e melaços sofreram forte retração. Outros grãos também sentiram o impacto: no caso do trigo e do centeio, não houve embarques relevantes ao Golfo Pérsico em março (veja os detalhes na tabela abaixo). A principal explicação para a queda está na logística. Com o aumento do risco na região, companhias de navegação passaram a cobrar taxas adicionais e a adotar rotas mais longas, muitas vezes contornando o continente africano para evitar a passagem por Ormuz. O desvio amplia o tempo de viagem e encarece o transporte. Para analistas do mercado financeiro, episódios como o conflito no Irã mostram como fatores políticos passaram a influenciar diretamente o comércio de commodities. “A geopolítica voltou a ditar regras no fluxo global de mercadorias”, afirma Pedro Ros, CEO da Referência Capital. Segundo ele, tensões internacionais podem alterar rotas logísticas, pressionar custos de seguro e aumentar a volatilidade de preços, exigindo maior planejamento das empresas exportadoras. Carnes e commodities mantêm demanda Mesmo com a queda das exportações brasileiras ao Golfo Pérsico em março, alguns produtos mantiveram demanda e ajudaram a sustentar o fluxo comercial com a região. As carnes seguem como um dos principais pilares da pauta brasileira nesses mercados. O frango permanece como o principal item exportado pelo Brasil ao Golfo, liderando as vendas externas tanto em 2025 quanto no início deste ano. LEIA TAMBÉM: Conflito no Oriente Médio derruba exportações de carne bovina e de frango para a região A carne bovina também mostrou resiliência no período, com avanço no valor exportado — movimento associado sobretudo à alta dos preços internacionais, e não necessariamente ao aumento do volume embarcado. A relação comercial entre Brasil e Golfo, no entanto, não se limita às exportações brasileiras. O país também depende de produtos vindos da região — especialmente fertilizantes nitrogenados, insumos essenciais para a produção agrícola. Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão entre os principais fornecedores desses produtos para o mercado brasileiro. Diante das incertezas sobre a duração do conflito e das dificuldades no transporte marítimo, empresas brasileiras passaram a antecipar compras para garantir estoques. Não por acaso, em março, as importações de fertilizantes nitrogenados vindos desses países cresceram mais de 265%, segundo dados do MDIC. Produção de soja e milho em Macapá – Exportação para a Guiana Francesa Arthur Alves/PMM

FONTE: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/04/23/guerra-no-ira-exportacoes-brasileiras-golfo-persico.ghtml


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