Exportações de carne bovina batem recorde no 1º semestre, mas cota da China e restrições da UE preocupam setor

  • 20/07/2026
(Foto: Reprodução)
Assessoria do governo do Mato Grosso As exportações brasileiras de carne bovina bateram recorde no primeiro semestre de 2026, mas o segundo semestre será mais desafiador para o setor por causa da cota de importação da China e de restrições da União Europeia, disse a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) nesta segunda-feira (20). De janeiro a junho, as vendas de carne bovina para outros países somaram US$ 9,929 bilhões, alta de 33,4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em volume, os embarques chegaram a 1,811 milhão de toneladas, crescimento de 7,3%. Segundo a Abrafrigo, é o melhor resultado da série para um primeiro semestre, tanto em valor quanto em volume. Apesar do desempenho, a entidade avalia que os resultados devem perder força no segundo semestre. O principal motivo é o esgotamento da cota de exportação de carne bovina para a China. A estimativa é que o limite de 1,106 milhão de toneladas destinado ao Brasil em 2026 tenha sido preenchido com os embarques realizados até junho. Com isso, segundo a Abrafrigo, os embarques para a China foram interrompidos em julho, já que os volumes exportados acima da cota são sobretaxados em 55%. Além disso, o risco de suspensão das compras pela União Europeia a partir de 3 setembro. O bloco exige que o Brasil comprove que não utiliza antimicrobianos para promover crescimento em animais. Veto à carne do Brasil: por que a União Europeia quer mais controle sobre antibióticos na pecuária UE veta carne do Brasil a partir de 3 de Setembro China segue como principal destino As vendas de carne bovina para a China cresceram 50,3% no primeiro semestre de 2026, para US$ 4,818 bilhões. Em volume, o avanço foi de 22,6%, para 774,7 mil toneladas. O país respondeu por 48,5% das receitas obtidas com as exportações brasileiras de carnes e subprodutos bovinos. Considerando apenas a carne bovina in natura, a participação chegou a 53%. Segundo a Abrafrigo, o governo chinês contabilizou na cota as cargas que chegaram aos portos do país a partir de 1º de janeiro de 2026, mesmo que tivessem sido embarcadas no fim de 2025. Por isso, a entidade estima que o limite anual já tenha sido atingido. Diante desse cenário, a Abrafrigo projeta que o Brasil poderá reduzir em cerca de US$ 4 bilhões as vendas de carne bovina para a China em 2026, na comparação com 2025, quando as exportações para o país asiático somaram US$ 8,845 bilhões. A entidade afirma, porém, que essa queda poderá ser parcialmente compensada caso os embarques sejam retomados nos dois últimos meses do ano, com chegada das cargas aos portos chineses apenas em janeiro de 2027, dentro da cota do próximo ano. Outros mercados ajudam a compensar O avanço das vendas para outros mercados pode reduzir parte dos impactos da menor demanda chinesa. Os Estados Unidos, segundo maior comprador da carne bovina brasileira, aumentaram as importações em 14,76% no primeiro semestre, para US$ 1,465 bilhão. Considerando apenas a carne bovina in natura, as compras americanas cresceram 41%, para US$ 1,116 bilhão, enquanto o volume embarcado avançou 17,3%, para 183,6 mil toneladas. Segundo a entidade, as perspectivas para o mercado americano seguem favoráveis porque a carne bovina ficou de fora das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. A Abrafrigo também lembra que o país ainda enfrenta baixa produção interna e preços elevados, o que pode favorecer as importações. O Chile, terceiro maior destino da carne bovina in natura brasileira, elevou as compras em 33,12%, para US$ 419,6 milhões, com aumento de 20% no volume embarcado, que chegou a 70,3 mil toneladas. União Europeia ainda negocia certificação As compras da União Europeia de carne e subprodutos bovinos brasileiros cresceram 35,26% no primeiro semestre, para US$ 482,65 milhões. Mesmo assim, o bloco poderá suspender as compras de carne bovina brasileira a partir de setembro, quando entram em vigor novas exigências sobre a comprovação de produção livre do uso de antimicrobianos no rebanho. Segundo a Abrafrigo, o Brasil ainda negocia com as autoridades sanitárias europeias um modelo de certificação que permita manter as exportações, mas, até o momento, não há resultados concretos. Diversificação de mercados Além dos Estados Unidos e do Chile, outros mercados ampliaram as compras de carne bovina brasileira no primeiro semestre: Rússia: 62 mil toneladas (+34,5%) e receita de US$ 283,8 milhões (+48,6%); Hong Kong: US$ 227,15 milhões (+33,8%); Arábia Saudita: US$ 192 milhões (+31,7%); Egito: US$ 179,8 milhões (+32,2%). O México, por outro lado, reduziu as compras em 8,13%, para US$ 253,8 milhões. Segundo a Abrafrigo, essa diversificação ganha importância diante das incertezas envolvendo China e União Europeia. No primeiro semestre, 118 países aumentaram as compras de carne bovina brasileira, enquanto 55 reduziram as aquisições.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/07/20/exportacoes-de-carne-bovina-batem-recorde-no-1o-semestre-mas-cota-da-china-e-restricoes-da-ue-preocupam-setor.ghtml


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